O Papel das religiões enquanto instâncias reguladoras das sexualidades alternativas: o caso da homofobia e violência

Autores

  • Diego R. S. Pereira Departamento de Ciencias Socias, Universidade Federal de Sergipe
  • Josadac B. dos Santos Departamento de Ciencias Socias, Universidade Federal de Sergipe

Palavras-chave:

Discurso, homofobia, religiões, violência

Resumo

Este artigo trás como questão a relação entre homofobia e violência no contexto dos discursos religiosos. Insere-se nos estudos sobre sexualidades alternativas (aquelas que fogem ao padrão heteronormativo) e religião. Como objeto empírico, foram consideradas  cinco correntes religiosas: Católicos, Protestantes subdivididos em históricos e pentecostais, Espíritas e Candomblé.  Pretendeu-se pesquisar a percepção e atuação de líderes religiosos e fiéis em relação aos homossexuais e outras sexualidades alternativas, buscando um entendimento sobre até que ponto e de que modo a religião interfere total ou parcialmente em posturas que validam ou dão respaldo as atitudes homofóbicas e violentas, ainda que na dimensão simbólica. As religiões mencionadas, além da representatividade em Aracaju e muito provavelmente no Brasil, também se tornam muito atuantes do ponto de vista político e da capacidade de influenciar na formação de opinião pública. Os objetivos visados foram: identificar os discursos dos grupos religiosos sobre a homofobia e a potencialidade de geração de violência em relação à homoafetividade. A partir destes, analisou-se os pontos de aproximação das diferentes correntes religiosas com relação à questão da homofobia determinando os possíveis argumentos que possam contribuir para uma postura mais tolerante para com a homoafetividade. No que tange a metodologia foram entrevistadas cinco lideranças religiosas das quais posteriormente formaram-se cinco sessões de entrevistas coletivas em torno das correntes religiosas supra citadas na cidade de Aracaju-Sergipe; salientando que os temas abordados tanto pelas entrevistas como pelas sessões coletivas foram: sexualidades, homofobia, violência e religião. Por fim, foram comparados o discurso institucional (aqueles divulgados nos meios de comunicação e de seus líderes) e os argumentos dos fiéis ou adeptos para poder perceber as divergências do discurso dos grupos religiosos estudados. A conclusão a que se chegou foi que os discursos em torno da homossexualidade convergem para uma moral cristã de natureza  conservadora e por tanto com características que potencialmente podem ser entendidas como homófobicas.  

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