A Experiência Transamazônica: nordestinos e o plano nacional de integração

Autores

  • Magno Michell Marçal Braga Instituto de Estudos do Trópico Úmido da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará IETU-UNIFESSPA

Palavras-chave:

Transamazônica, Memória, nordestinos

Resumo

A Rodovia Transamazônica evoca discursos múltiplos acerca de sua viabilidade sócio-econômica no curso da História recente brasileira. A fim de compreender como esses discursos são construídos e reconstruídos, seja na mídia de massa ou na memória dos que participaram ativamente da implantação do projeto estatal, buscamos, a partir dos métodos da História oral, compreender os percursos traçados ao longo da construção destas representações. Assentamos nossa análise nos caminhos abertos por ORLANDI(1999), DELGADO (2006) e MONTENEGRO (2007; 2010) e CHARAUDEAU (2013). As vozes dos trabalhadores são tomadas, juntamente com matérias jornalísticas, como fontes para interpretação do processo histórico desenvolvido a partir do ano de 1970, sob a égide do regime ditatorial brasileiro (1964-1985) e que teve como um de seus principais projetos a Construção da Rodovia Transamazônica, inserida no Plano de Integração Nacional (PIN). Tal projeto consistia na construção de uma grande rodovia que cortaria o Brasil no sentido leste-oeste, integrando a região amazônica ao resto do país e promovendo uma grande migração dirigida para mesma. Alardeada nas manchetes de jornais como “redenção do povo nordestino”, e apresentando-se como o paradigma “homens sem terra para terra sem homens” a grande rodovia é alvo de uma série de trabalhos que buscam o entendimento dos motivos e das consequências do projeto.

Referências

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DOCUMENTOS
Ata da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco de 04/06/1980: disponível em http://www.alepe.pe.gov.br/sistemas/anais/pdf/002_09-1-002-1-055.pdf e acessado em: 22/07/2014.

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Publicado

2014-12-11

Edição

Seção

Democracia e ditadura no Brasil e na América Latina